Agora, só faltam 23 dias para quem quiser concorrer aos Concursos Literários com prazo até Abril de 2011.
Hoje, para não esquecer que Ler e Escrever nunca é D+ vejam o que diz o site Websinder. É meio motivacional, mas bem interessante se o nosso objetivo aqui é promover a Leitura e a Escrita.
Porque Escrever e Ler nunca é demais. Este blog espelha um encontro de gerações, entre Carol e seu pai. Independentemente da presença física de Carol, tendo em vista o seu falecimento em 14.01.2011, a proposta é incentivar a leitura e a produção de textos, e fazer as pessoas mais felizes, principalmente pelas histórias vivenciadas por Carol e seu pai, apresentadas no formato de Livros Virtuais, assim como pelas crônicas e o espaço das bonecas.
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Mensagem e Lembrete
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Hoje, dia 23.01, continuaremos dedicando à memória de Carol, editando uma série de mini crônicas denominadas Amor, Bondade, Alegria e Amizade.
Permanecemos com as mensagens da Ingrid :
Por Ingrid Gomes
"Assim que cheguei ao Santa Cecilia em 2004, conheci várias pessoas, uma delas foi a Carol. O tempo foi passando e cada vez mais ela se tornava uma pessoa especial para mim até que ela se tornou uma irmã onde sabia que podia confiar plenamente. Passamos por muitas coisas juntas: alegrias, tristezas, erros e acertos, aprendizados...Em 2010, sabia que ela tava doente, mas não pensei que fosse algo sério, pensei que ela já estaria bem logo. No final do ano, ela não pode dançar no festival, a gente continuou se falando; no dia 5 de janeiro, falei com ela normalmente, a convidei para sair, mas ela disse que não queria, havia ganhado a cachorrinha, disse também que estava tudo bem, mas ainda estava doente. Depois disso não tive mais contato, até que no dia 15 de janeiro, eu entrei no computador, vi o Orkut dela...E vi mensagens dedicadas a ela...Demorei muito tempo para acreditar, depois de um tempo, eu comecei a entender. Até hoje a Carol tem lugar no meu coração, onde permanecerá para sempre: as boas lembranças, os bons momentos...Simplesmente tudo que vivi com ela.
"A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração" Charles Chaplin
"Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre" Cecília Meireles
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Hoje, dia 23.01, continuaremos dedicando à memória de Carol, editando uma série de mini crônicas denominadas Amor, Bondade, Alegria e Amizade.
Permanecemos com as mensagens da Ingrid :
Por Ingrid Gomes
"Assim que cheguei ao Santa Cecilia em 2004, conheci várias pessoas, uma delas foi a Carol. O tempo foi passando e cada vez mais ela se tornava uma pessoa especial para mim até que ela se tornou uma irmã onde sabia que podia confiar plenamente. Passamos por muitas coisas juntas: alegrias, tristezas, erros e acertos, aprendizados...Em 2010, sabia que ela tava doente, mas não pensei que fosse algo sério, pensei que ela já estaria bem logo. No final do ano, ela não pode dançar no festival, a gente continuou se falando; no dia 5 de janeiro, falei com ela normalmente, a convidei para sair, mas ela disse que não queria, havia ganhado a cachorrinha, disse também que estava tudo bem, mas ainda estava doente. Depois disso não tive mais contato, até que no dia 15 de janeiro, eu entrei no computador, vi o Orkut dela...E vi mensagens dedicadas a ela...Demorei muito tempo para acreditar, depois de um tempo, eu comecei a entender. Até hoje a Carol tem lugar no meu coração, onde permanecerá para sempre: as boas lembranças, os bons momentos...Simplesmente tudo que vivi com ela.
"A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração" Charles Chaplin
"Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre" Cecília Meireles
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Visite os Livros Virtuais e leia os textos!
Filosofar! (I)
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Filosofar! (I)
Crônica da Semana: 14 a 20.08.2011
Será que dá para discutir filosofia num shopping?
Aproveitando um fim de semana especial, em que na segunda-feira um irmão estaria defendendo tese de doutorado em Medicina, foi possível revisitar a capital brasileira, Brasília, sob a ótica de uma das filhas, a qual não conhecia ainda a cidade.
O sábado foi cheio, desde logo de manhazinha, na chegada ao aeroporto até estacionar para o lanche, antes do boliche, às sete da noite, num shopping, próximo a uma das cidades satélites da capital.
Primeiro um belo café da manhã na casa do irmão doutor, com direito a pão de queijo feito pela D. Neném, o que já pagou a viagem. Depois, ao lado também dos pais – que vieram igualmente para assistir à defesa de tese -, um belo passeio pelo Lago Sul, visita a ermida Dom Bosco, idas e vindas pela ponte JK, Palácio da Alvorada e almoço num dos grandes restaurantes com comida regional.
À tarde, agora somente pai e filha, sob um sol escaldante, várias paradas no eixo monumental: Congresso Nacional, Catedral, Torre de TV (ainda bem que a filha não quis subir à torre), fonte da Torre, e só - por desejo da filha, é claro.
Depois, de volta ao lago, uma breve visita ao Pier 21 e ao Pontão, e já à tardinha não teve jeito de não ir bater ponto no Parqshopping (no Guará) e para satisfação da filha comer um MacDonald.
Após aboletar-se numa mesa, aguardando a filha que estava na fila do sanduiche, o dia estafante não diminuiu a percepção do olhar e ouvido atentos. Na mesa ao lado, filho (quase 20 anos) e mãe (pouco menos de 40) conversam. O filho fala de filosofia.
Não se ouve os nomes de Sócrates, Platão, Aristóteles ou outros e muito menos alguma coisa sobre a leitura de “O mundo de Sofia” ou sobre as perguntas e expectativas de respostas que o ser humano sente também tanta necessidade além de se alimentar, tais como: Quem somos? De onde viemos? Por que vivemos? Mas, no entanto, é perceptível compreender que a conversa permeia esse universo: a terra é um planeta insignificante no universo; se formos considerar outras galáxias, nós somos um grãozinho de nada; por que então tanta guerra, tanta necessidade de ser o maior?
Na chegada da filha à mesa, um comentário: eles estão falando de filosofia! O “dar de ombros” da filha é como um balde de água fria naquele dia longo, mas desperta para a realidade do que talvez sempre aconteça quando se fala em filosofia: “e daí?”. Assim, nesse contexto, vem à mente aquela pergunta colocada no início da crônica.
Certamente, na média, a resposta à pergunta seria: “ora, filosofia barata se discute em qualquer lugar, até mesmo num shopping”, como algum amigo falou há muito tempo atrás, quando o assunto permeava nosso bate-papo semanal.
De fato, por que um local poderia ser empecilho para se conversar sobre um tema tão importante para a humanidade?
A imagem do filho conversando com a mãe sobre questões filosóficas, no burburinho de uma sala de alimentação de um shopping de uma cidade satélite de Brasília, ao sabor de um macdonald, possivelmente usando uma bermuda, camisa e tênis com a logo da Nike, com um telefone “xing ling” – importado – da China ainda provoca reflexões.
Alguma coisa parece não estar combinando direito!
Alci de Jesus
Coméntario
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Filosofar! (I)
Crônica da Semana: 14 a 20.08.2011
Será que dá para discutir filosofia num shopping?
Aproveitando um fim de semana especial, em que na segunda-feira um irmão estaria defendendo tese de doutorado em Medicina, foi possível revisitar a capital brasileira, Brasília, sob a ótica de uma das filhas, a qual não conhecia ainda a cidade.
O sábado foi cheio, desde logo de manhazinha, na chegada ao aeroporto até estacionar para o lanche, antes do boliche, às sete da noite, num shopping, próximo a uma das cidades satélites da capital.
Primeiro um belo café da manhã na casa do irmão doutor, com direito a pão de queijo feito pela D. Neném, o que já pagou a viagem. Depois, ao lado também dos pais – que vieram igualmente para assistir à defesa de tese -, um belo passeio pelo Lago Sul, visita a ermida Dom Bosco, idas e vindas pela ponte JK, Palácio da Alvorada e almoço num dos grandes restaurantes com comida regional.
À tarde, agora somente pai e filha, sob um sol escaldante, várias paradas no eixo monumental: Congresso Nacional, Catedral, Torre de TV (ainda bem que a filha não quis subir à torre), fonte da Torre, e só - por desejo da filha, é claro.
Depois, de volta ao lago, uma breve visita ao Pier 21 e ao Pontão, e já à tardinha não teve jeito de não ir bater ponto no Parqshopping (no Guará) e para satisfação da filha comer um MacDonald.
Após aboletar-se numa mesa, aguardando a filha que estava na fila do sanduiche, o dia estafante não diminuiu a percepção do olhar e ouvido atentos. Na mesa ao lado, filho (quase 20 anos) e mãe (pouco menos de 40) conversam. O filho fala de filosofia.
Não se ouve os nomes de Sócrates, Platão, Aristóteles ou outros e muito menos alguma coisa sobre a leitura de “O mundo de Sofia” ou sobre as perguntas e expectativas de respostas que o ser humano sente também tanta necessidade além de se alimentar, tais como: Quem somos? De onde viemos? Por que vivemos? Mas, no entanto, é perceptível compreender que a conversa permeia esse universo: a terra é um planeta insignificante no universo; se formos considerar outras galáxias, nós somos um grãozinho de nada; por que então tanta guerra, tanta necessidade de ser o maior?
Na chegada da filha à mesa, um comentário: eles estão falando de filosofia! O “dar de ombros” da filha é como um balde de água fria naquele dia longo, mas desperta para a realidade do que talvez sempre aconteça quando se fala em filosofia: “e daí?”. Assim, nesse contexto, vem à mente aquela pergunta colocada no início da crônica.
Certamente, na média, a resposta à pergunta seria: “ora, filosofia barata se discute em qualquer lugar, até mesmo num shopping”, como algum amigo falou há muito tempo atrás, quando o assunto permeava nosso bate-papo semanal.
De fato, por que um local poderia ser empecilho para se conversar sobre um tema tão importante para a humanidade?
A imagem do filho conversando com a mãe sobre questões filosóficas, no burburinho de uma sala de alimentação de um shopping de uma cidade satélite de Brasília, ao sabor de um macdonald, possivelmente usando uma bermuda, camisa e tênis com a logo da Nike, com um telefone “xing ling” – importado – da China ainda provoca reflexões.
Alguma coisa parece não estar combinando direito!
Alci de Jesus
Coméntario
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quarta-feira, 6 de abril de 2011
10 dicas dos mestres para escrever melhor
Só temos 24 dias para concorrer aos concursos literários com prazo até abril. Na página Concursos Literários você tem mais informações.
Para incentivar a todos, repasso o artigo abaixo retirado do blog "QueroTerUmBlog.com!". Acho que vai dar alguma inspiração na hora da transpiração. As dicas foram adaptadas para a escrita diária em blogs mas são importantes também no contexto da elaboração do seu conto e crônica.
10 Dicas dos Mestres para Escrever Melhor
O blog Pick The Brain trouxe uma lista com 10 dicas dos mestres para escrever melhor. Traduzo e adapto para o seu proveito. Creio que estas dicas serão úteis na redação diária de seu blog.
Para incentivar a todos, repasso o artigo abaixo retirado do blog "QueroTerUmBlog.com!". Acho que vai dar alguma inspiração na hora da transpiração. As dicas foram adaptadas para a escrita diária em blogs mas são importantes também no contexto da elaboração do seu conto e crônica.
10 Dicas dos Mestres para Escrever Melhor
O blog Pick The Brain trouxe uma lista com 10 dicas dos mestres para escrever melhor. Traduzo e adapto para o seu proveito. Creio que estas dicas serão úteis na redação diária de seu blog.
Texto XII: Exercício sempre é bom – 2ª Parte
E não deixa de ser verdade: quando alguém chama outro por um diminutivo, já está chamando de baixinha. Da mesma forma se usa o aumentativo quando a pessoa é grande: ei! Renatona?
Meu pai sempre diz que quando ele fala pra gente pensar nesta questão de altura é porque todo mundo tem uma curva de crescimento e você pode chegar a uma altura mínima e máxima, e que a gente deveria buscar ficar o mais próximo da altura máxima.
- Você não vai ficar alta minha linda! E não é que ser alta é bom, mas se você tem uma curva em que você pode crescer um pouco mais, fazendo um pouco de exercício e se alimentando bem, por que não?
A irmã mais alta, já está tão alta, que não quer mais crescer. Faz pelo menos um ano que ela malha, mas não quer ficar mais alta, diz que já está numa altura boa, e que cansou de usar sandálias baixas e ficar olhando as pessoas por cima. Definitivamente, não quer crescer mais.
- Olha! Este ano eu não cresci nadinha!
Realmente, ela sempre fez muito exercício. Meu pai diz que desde criança ela já tinha um tipo pra crescer muito. Mas fazia de tudo: corria, pulava, andava de bicicleta, jogava bola direto, fazia futebol de salão na escola, participava das corridas de atletismo nos jogos estudantis, praticava basquete.
De certo modo, ter uma altura na média é bom. Às vezes, a gente vê cada pessoa tão baixa, que logo pensa:
- Ainda bem que já passei dessa altura.
Na verdade, a gente vê umas mulheres bem baixinhas com filhos tão grandes, que não consegue entender. Por um lado é bom, porque quer dizer que ser baixo não atrapalha em nada em ter uma filha que vai “ser normal”. E também não impede da gente encontrar uma cara metade, o que também é muito agradável.
E também a gente vê umas pessoas muito gordas, já passando um pouquinho da conta. Nessas horas, a gente pensa que um pouco de exercício ia ajudar. As crianças, que são ingênuas, não perdoam:
- Tu é gordo?
terça-feira, 5 de abril de 2011
Texto XII: Exercício sempre é bom - Introdução
Todos os dias o meu pai acorda às 6 h. Depois do ritual de chamar as filhas para se arrumarem e de preparar a mesa do café, se for uma segunda-feira, ele veste o seu calção de banho, a sua camiseta, que parece ser de um tamanho bem menor do que o necessário e vai fazer os exercícios, começando na varanda.
Ele diz que aprendeu essa rotina quando estava servindo ao exército, no final de 70. Apesar de ele não ter gostado de servir ao exército, pelo que o meu avô conta, ele aprendeu que fazer exercício sempre é bom, e não perdeu esse hábito desde aquele tempo.
O avô por parte de mãe também fazia exercícios. Lá na casa dele tem uma escada e de vez em quando, ao passar por lá para ir à praia, a gente o via, também com calção de banho e uma camiseta branca, fazendo exercícios, subindo e descendo as escadas.
Lá em casa, agora, das quatro filhas, duas fazem academia. A minha mãe vive dizendo que precisa fazer exercícios, que necessita fazer musculação, mas toda vez que ela tenta, não consegue. Ela é muito atarefada e se cansa tanto no trabalho, que não tem tempo e coragem pra enfrentar uma sessão de musculação.
Na escola, as aulas de educação física são mais uma brincadeira gostosa do que algo chato. A gente fica correndo na brincadeira e nem percebe que está fazendo exercício.
Depois, quando a gente está um pouco maior, a gente já pensa em fazer vôlei, basquete ou, então, o que acho mais interessante, dança.
- Filha, você pode fazer dança, não tem problema, mas eu gostaria que você fizesse basquete, porque aí você podia crescer um pouco mais!
Realmente, às vezes, as pessoas não têm tipo pra crescer muito, não. Alguns vão ficar baixinhos. E geralmente, como diz minha mãe, quem é baixinho, tem as pernas grossas e uma bunda grande.
Mas o que é que tem demais em ficar baixinho? Meu pai, quando a gente vai à casa do meu avô, fica tirando brincadeira.
- Filha, você só não pode ficar menor do que o seu avô, isso não!
No colégio, quem é baixinha sempre ganha algum apelido. Às vezes é um diminutivo que é ligado ao nome. Daí, Renata vira Renatinha; depois Natinha; depois Tinha.
E o interessante neste tipo de tratamento é que parece carinhoso. Só que às vezes, às pessoas usam de forma pejorativa: “sua, sua baixinha”.
Texto XI: Quem dança os males espanta - Parte final
Enfim, chega o dia da apresentação. Na noite anterior quase não se consegue dormir direito, só pensando no que vai acontecer no dia seguinte. Antes que meu pai entre no quarto pra fazer o primeiro chamado, parece que o subconsciente já está sabendo:
- Já tô acordada pai!
No banho, em casa, antes da apresentação, passa pela cabeça uma série de imagens: todos os passos, a música, as marcações, onde vão estar cada uma das meninas, o olhar da professora e a sua voz:
- Meninas! Agora é com vocês, não se preocupem! Vocês estão preparadas, se divirtam, dancem!
A roupa está linda, tudo foi muito bem organizado. Ao chegar ao local do evento, os pais fazem questão de ir até a porta da sala que é utilizada como camarim, onde as meninas se vestem e fazem as pinturas, dão os retoques finais.
- Filha, você está linda! Nós vamos ficar do lado esquerdo do teatro e filmar tudo.
- Tá bom, vão, vão!
Nessas horas, parece que a gente quer se livrar dos pais; parece que eles deixam a gente ainda mais nervosa. Mas também é legal, porque a gente percebe o carinho deles. É legal ver os pais das meninas chegando com o mesmo sentimento dos nossos pais.
O tempo passa devagar até chegar o nosso ato. Todas as meninas estão prontas e também ansiosas.
- Agora são vocês! Vamos, vamos!
E aí quando a música começa a tocar e a gente entra no palco é maravilhoso. Mesmo que a gente fique orientada pelo tempo e movimento da menina do lado e que não dê aquele sorriso e desenvoltura de quem é bem mais experiente, a gente fica leve e contente, e dá até para em algum momento ver os pais, sorrindo alegres.
Essa sensação é imensa e o tempo parece que foi transformado e que cada minuto é uma eternidade. Ao final, o despertar com os aplausos é sensacional.
- Filha, foi lindo, lindo. Você esteve ótima!
Não há nada melhor do que isso. Nem que o pé tenha doído muito por ter pisado em falso ou então que se tenha uma febre, como estava febril uma menina no terceiro ato. Naquele momento a gente tem a exata compreensão de que nada poderia nos deter de fazer a apresentação, nada seria mais importante. Neste momento a gente pode dizer que quem dança os males espanta, pelo menos por um bocadinho de tempo.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Texto XI: Quem dança os males espanta – 2ª Parte
E parece que é isso mesmo. Quando a gente está dançando as coisas mudam e parece que uma energia penetra no nosso corpo. Dá vontade de sorrir, de não parar de dançar.
Muitas vezes, a gente quer que alguém veja como estamos progredindo, mas não pode ser o nosso pai, talvez a nossa mãe, o importante é poder demonstrar quando a gente está com segurança nos passos e não erra ao fazer a demonstração.
- D. Sandra, ficou bonito? Percebeu se eu errei alguma coisa? Quando meu pai chegar, eu tenho certeza que ele vai pedir pra eu dançar. Eu quero fazer sem errar!
Mesmo que o pai ou a mãe da gente cheguem cansados, se é num dos dias da aula de dança, não tem jeito, sempre vem àquela pergunta:
- E aí? Como é que foi? Aprendeu algum passo novo? Faz pra gente ver!
É impressionante! Às vezes, a gente está com a cabeça legal e dá uma resposta, tipo que está meio cansada e fica pra depois. Outras vezes, até pelo cansaço mesmo, a gente nem responde direito e só diz “argh”.
Meu pai não cansa de dizer pra mim e pra minhas irmãs que a gente é parecida com a nossa mãe, não pode estar com fome ou então ter saído a pouco de uma aula, que não queremos conversa.
Mas, às vezes, a gente não tem cabeça mesmo pra ficar fazendo pose. Os pais da gente não sabem como foi à aula nem nada e pensam que tudo é bonitinho e tal. Mas tem muito esforço também. A professora às vezes pede pra gente corrigir alguma coisa na frente de todo mundo. E tem aquela menina que entrou com a gente e que já está dançando bem melhor. Tem várias coisas que acontecem e que a gente fica pensando.
Daí, quando a gente chega em casa, a gente só quer descansar. Nada melhor do que um banho, bem refrescante, demorado, lavar os cabelos, passar um tempão escovando-os até ficar bem seco e daí comer um jantar quentinho:
- D. Sandra, já preparou o meu jantar?
Esse roteiro, tipo um ritual, acontece todas as terças e quintas-feiras. E a gente fica esperando pra que esses dias aconteçam, ainda mais quando a gente sabe que no final do ano tem uma apresentação da classe de dança no teatro, pra todo mundo da escola e para os nossos pais.
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